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Lucia D'Acri
Só
enquanto minha alma for criança, meus olhos paixão, meu corpo
desejo.
Só enquanto for por amor. Por prazer e por inteiro.
Sobreviver não vale a pena.
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Sexta-feira, Abril 25, 2003
TristezaEstou ausente. O caos em Israel, a violência no Rio,
a ida de Mauro Rasi, a nomeação de Garotinho. Tá difícil de aturar.
Ontem, mais uma vez, presenciei a estupidez do crime. Batida de carros, tiros, pânico geral. Por sorte nenhum morto.
É! acho que é melhor ficar ausente mais um pouco.
postado por Lucia D'Acri 10:59 AM *
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Segunda-feira, Abril 14, 2003
Estou lendo Millôr:Se eu tivesse uma locomotiva
a traria para a minha solidão de monge
e enquanto ela ficasse aqui, sozinha,
eu apitaria, lá longe.
mais um pouquinho:
Teoria de linguagem
No princípio era o verbo. Depois vieram os advérbios, as preposições e as conjunções. Daí à lógica era um passo. O substantivo só foi descoberto muito mais tarde, quando a humanidade já buscava uma volta à simplicidade. Domesticado o primeiro animal para substituir o trabalho humano, houve a necessidade de batizá-lo. Descobriram que se tratava de um boi. E, depois de intermináveis discussões, resolveram chamá-lo de boi.
Pergunta que não quer calar: Cadê as armas de Saddam???????
Grito que não quero soltar : Síria não!!!!
postado por Lucia D'Acri 9:04 PM *
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Terça-feira, Abril 08, 2003
Susto E no caminho havia uma pedra,
E havia uma pedra no caminho
Drummond
Pobre tem pedra no rim, gente bem - cálculo renal. Na medicina - nome de deusa grega: nefrolitíase. Mas prá você, meu amor, é essa puta dor lancinante, é pronto-socorro, sedativo na veia. É a mão suada, o abraço trêmulo, o olhar assustado. É beijo com gosto de remédio.
Prá mim é ficar impotente, sofrendo por tabela, te vendo em agonia. É te cuidar e te trazer prá casa, aliviada, quando enfim dormes sem largar minha mão. É agora entre um Profenid e um Buscopan, um carinho e um chamego, enfermeira capaz, descolar uma dos Titãs especialmente prá você:
Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra no caminho
Você pode retirar
Uma flor que tem espinho
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver
Desculpem, mas por aqui até pedra nos rins é pretexto.
postado por Lucia D'Acri 11:55 AM *
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Segunda-feira, Abril 07, 2003
Recadinho Caro Editor
Não me venha com essa história de comemoração no Nova Capela, não.
Hoje é dia do jornalista sim, parabéns prá você e toda a turma, mas decline dos convites pois temos muitas matérias a pautar e também tô afim de fazer uma revisão geral.
Bjs.
Sua leitora mais assídua
Pane Seca, não!!!!!!!!!!!!!!! Essa foi de arrasar, Rubinho.
2a feiraBagdá, Cataguases, pneumonia asiática, greve em S. Paulo. O dolar cai e a bolsa sobe. Socorro: alguém pode me explicar???
postado por Lucia D'Acri 4:11 PM *
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Parem as máquiiiiiinas!!!!!!!!!!Ah! Poderoso.
Agora vem ser minha manchete.
postado por Lucia D'Acri 1:31 AM *
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Fim de domingo. Chove.
FHCPrimeiro artigo de FHC estreando como colunista do O Globo. O assunto escolhido é a guerra. Escolha óbvia como também todo o texto. Não acrescenta nada, não diz nada. Também óbvia a referência a dois contatos que teve com o Bush, que atendendo a seu ego imenso, FHC supervaloriza.
O grande Nelson Rodrigues estava certo: O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato.
FrustraçãoAs novas regras da F-1 realmente tornaram as corridas totalmente imprevisíveis e mais emocionantes. Rubinho Barrichello foi tudo e ficamos com o coração na mão. Ver a Ferrari apagar foi atroz. Resta torcer para que no próximo prêmio o autódromo do Rio substitua Interlagos (que provavelmente será condenada pela falha de estrutura).
Hein?????O Vaticano classifica os homossexuais como doentes e o nosso Ministro da Educação quer que as provas de vestibular para qualquer carreira sejam apenas de português e matemática.
Pára tudo que eu quero descer!
Pensamento do Dia Formiga, quando quer se perder, cria asas.
postado por Lucia D'Acri 12:25 AM *
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Domingo, Abril 06, 2003
TrairZipando na TV paramos num desses programas de quinta categoria onde a atração é vigiar uma pessoa para flagrá-la ou não em adultério.
A pergunta é: quem paga esse mico? Só pode ser armação. Mas as pessoas ficam fascinadas, esperando o fim da história.
A traição é esperada, aplaudida, causa frenesi. O público extasiado, quer briga, quer sangue. Baixaria.
Isso leva a pensar: por que as pessoas querem tanto o mal, o baixo, o vil? Por que a traição aguça tanto os baixos instintos humanos?
Na minha história pessoal esse é um assunto forte e é assim que eu vejo esse triste espetáculo de três personagens:
Glenn Close em atração fatal
O outro Pessoa que, movida pela inveja (da felicidade alheia), pela cobiça (o prazer de tomar, roubar), por interesse (vantagem financeira, profissional, status, etc) ou somente pela pequenez da alma se instala entre um casal.
Coisas do amor? Não. Não existe amor nem criatividade em ser o outro - o que funciona mais ou menos assim:
Fase 1: que pena que você já tem alguém:
Essa é o discurso mas..."está gostando tanto de você que apesar de ser errado, sofrer e ficar muito dividido aceita ser o outro".
O outro está sempre de bem com a vida, alegre e bem-humorado é muito interessante. Cúmplice das mentiras, te dá razões para trair e não se sentir culpado. Toma cuidados, tem agenda flexível e te alerta para não dar bandeira.
Fase 2:eu entendo, amor, mas... :
As coisas começam a mudar.
O outro nunca mais pode naquele horário que é bom prá você e quer te ver nas horas mais comprometedoras. Acontecem pequenos acidentes, doenças e problemas pessoais exigem colo a todo instante. Há sempre um passeio, uma viagem engatilhada. "Vai morrer se você não for. Se você não pode, até iria sozinho..." é o que diz, mas cancela na última hora.
Ele quer sempre ficar só mais um pouquinho, passa a mandar bilhetes, cartas e dá bandeiras homéricas.
Fase 3: eu te amo loucamente:
O outro vira amigo do seu melhor amigo e busca conhecer aquele seu parente barra limpa.
É sempre compreensivo e até ajuda você na relação com o titular.
Os bilhetes e mimos se multiplicam, ele arrisca telefonemas anônimos, enganados ou que desliga depois de suspirar. Faz confidências aos amigos comuns (começa a enumerar os que" dão a maior força prá gente"). O outro já não dá bandeira: divulga, entrega.
Fase 4: jamais vou te pressionar:
Surgem aquelas historinhas: Sabe o meu antigo namorado? Pois é: anda me cercando. No outro dia acabou saindo com aquele outro amigo por que estava deprimido por não poder te encontrar.... As conversas agora giram sobre os temas: "Pensa como seria ter uma casinha, ficar juntinho todo o tempo e até, oh, loucura! ter um filho com você".
Acrescenta, entre lágrimas e sorrisos, que nunca desejou isso antes. Tem tanto medo que você vá embora! Faz leves críticas ao titular, aumentam os telefonemas anônimos, suja sua camisa, exagera no perfume e deixa rastros.
Fase 5: tá difícil viver assim
Inconformado, não se contenta mais em ser o outro. Tenta te convencer que a culpa é do titular - ele é quem atrapalha, que impede a total felicidade de vocês.
Garante que é impossível não saber da traição (dava tudo prá saber se achou aquele bilhetinho na bolsa ou o brinco "caído" no chão do carro) e que ele não te ama.
As favas com os sentimentos dos outros - " nosso amor é tudo".
O outro tem pressa. O tempo pode acabar com a paixão. Diz que tentou te esquecer, mas não consegue. Nessa fase podem acontecer indiscrições, flagrantes e até denúncias para o traído.
Fase 6: Atração Fatal ou a Próxima Vítima
Se tudo deu certo, faz os planos de sua mudança, os cálculos da pensão, assume como titular e até se oferece para ter uma conversa civilizada com o agora ex. Se não conseguir te dobrar, opta por fazer ameaças, escândalos e em casos femininos mais graves para a clássica gravidez.
Se ainda assim não tiver sucesso, tomado de ódio, ele faz o que pode para separá-lo e inferniza sua vida.
Assume o se não for meu, também não fica com ninguém.
Em alguns poucos casos a escolha é continuar sendo a filial e investir no longo prazo.
Raríssimos são aqueles que desistem e vão embora, te dando paz.
Com leves variações sobre o tema é sempre assim. Só me explica como alguém, depois desse desfile maquiavélico das mais baixas atitudes, ainda pode gostar e acreditar no amante? O quanto pode esperar, no futuro, de respeito e caráter?
Mas você pode me perguntar: não pode ser o outro apenas um pobre coitado carente e apaixonado que chegou meio tarde?
Então tá. Se você conseguir ver assim o amante da sua mãe, a amante do seu pai ou do seu par, ou se você não conseguir encaixar o seu amante em nenhuma das fases daí de cima, então eu não discuto, você achou a "mosca da cabeça branca".
Conseguiu? Claro que não. Pois é: o outro é, definitivamente, abominável.
Le Baiser de Judas - Thomas Couture
O traidorExistem somente dois tipos de traidor:
- O contumaz - aquele que precisa se auto afirmar - eterno insatisfeito e inseguro.
Na verdade, não gosta de ninguém.
Mantém o titular para garantir o porto e se lança ao mar.
Caiu na rede, conta ponto; acha que nunca será descoberto e se for, dará seu jeito.
Irrecuperável, merece todas as coisas ruins que vão acabar acontecendo.
Desconhece respeito, companheirismo.
Banca o gostosão, mas tem sérias dúvidas quanto a sua performance na cama.
- O episódico - o ingênuo que não resiste à experimentação.
Marinheiro de primeira viagem, se afoba e se deixa envolver.
Na verdade é uma pessoa honesta que também sofre com a situação. Normalmente, após algum tempo, cai na real, se fortalece e o caso acaba.
Alguns dão azar, sucumbindo ou sendo descobertos e passam o resto da vida lamentando.
É uma situação única e é comum que fiquem divididos, perdidos em culpa.
Pecam por não resistir a tentação do novo, por querer ter tudo e por que não perceber que põe em risco não só o relacionamento, mas o verdadeiro amor, seu caráter e imagem.
Muitos dirão: Mas e se a relação já estava desgastada, ruim?
Não se iluda: quando o problema é realmente o casal, ninguém espera aparecer um caso prá cair fora: se separa, faz a mala, vai pro hotel, aluga um kit ou volta prá casa da mamãe. E não me venha com aquele papo cretino de medo da solidão.
Por fim sobra a questão: e quando o amor acaba? Concordo com o Nelson Rodrigues:
Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor.
O grito - Much - 1893 (retrata o medo de perder a razão)
O traídoÉ sempre a vítima da história, tenha esta o fim que tiver.
Nossa cultura, nossos medos e recalques fazem com que o traído sinta que errou, que a culpa é dele.
Covardia.
Não importa o que digam: Ninguém merece ser traído.
O ingênuo que confia no outro, o manso que se resigna, o violento que se desgraça, todos carregam uma dor profunda, uma mágoa que mina e que agride demais.
Sim, mesmo aquele que não sabe, sofre, posto que seu parceiro divide tempo e carinho e não o faz pleno no amor.
Sofre aquele que cala, vendido por migalhas de atenção.
Sofre também aquele que agride - amor transformado em ódio para sobreviver.
postado por Lucia D'Acri 1:15 AM *
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Frase do Dia:O que em Copacabana é feijão com arroz, na Penha é lagosta.
(do filme As Cariocas)
Fim de fériasEstive fora do ar domingo, segunda, terça e quarta. Fim de férias. Exatos 1000 km de viagem. Dez cidadezinhas, muita estrada de chão, paisagens incríveis.
Roteiro básico: Rio - Bananal - S. José do Barreiro (os dois na Serra da Bocaína) , Getulândia, Rio Claro e Lidice - estrada linda. Parati com direito a dois dias de paraíso: Praia de São Gonçalinho, São Gonçalo e Ilha do Pelado. Camarão e peixe frito. Cunha (onde há mais fuscas que gente) - Campos de Cunha - Bairro dos Macacos - Silveiras - Queluz.
O valente fusquinha encarou pirambeiras, muito barro e pedras. Vimos céus, montanhas, grandes pastos e planícies fantásticas. Também cachoeiras lindas, ponte pênsil e até cobra coral. Pousadinhas gostosas e muito sol.
Acabou. Foram quatro dias, um punhado de fotografias e muitas lembranças. Alento nessa vida stressada. Voltamos. Desarrumamos as malas.
Companheiros de estrada, dividimos, rimos e nos divertimos. Amigos de sempre somos fortes juntos. Essa é a nossa viagem que não termina. Nossa bagagem não pesa. Amantes apaixonados fazemos juntos nosso caminho uno.
Como podem perceber o amor é lindo e copio Maiakovski para me explicar:
Comigo viu-se doida a anatomia / sou todo um coração! ...
postado por Lucia D'Acri 1:01 AM *
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